Antropólogo francês Michel Agier aborda conceitos sobre ‘paradoxo da hospitalidade’ em eventos em SP

O renomado antropólogo francês Michel Agier esteve em visita ao Brasil para participar do segundo evento da série Conferências FAPESP 25, trazendo ao debate público questões centrais sobre migração, hospitalidade e fronteiras. Agier, professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales e membro do Centre d’études des mouvements sociaux (CEMS), é referência internacional em estudos sobre migração, campos de refugiados e dinâmicas de fronteira.

Durante sua passagem por São Paulo, Michel Agier participou de uma reunião exclusiva com o  Fronteiras Cruzadas na Universidade de São Paulo (USP), mediado pela professora Vera Telles e com a presença dos pesquisadores do projeto de extensão Fedo Bacourt, Juan Cusicanqui, Karina Quintanilha e Daniel Perseguim, além de Alohá de La Queiroz. O encontro foi uma oportunidade para o diálogo direto com destaque sobre a análise das migrações atualmente e no acompanhamento de processos migratórios no Brasil, especialmente sob a perspectiva das associações de migrantes – um foco que tem se demonstrado um diferencial das pesquisas do Fronteiras Cruzadas.

Michel Agier compartilhou experiências de campo realizadas na África e na Europa, enriquecendo o debate com exemplos práticos e reflexões teóricas sobre a condição migratória contemporânea.

Por que este encontro é relevante?

A presença de Michel Agier no Brasil trouxe discussões importantes sobre temas como o paradoxo da hospitalidade, a tensão entre acolhida e rejeição de estrangeiros, e as continuidades e rupturas entre hostilidade e abertura nas políticas migratórias.

Agier também fez o lançamento do livro Ilê Aiyê: a fábrica do mundo afro em Salvador, na Bahia, pela editora 34. O livro investiga os múltiplos significados que deslocavam tanto o imaginário numa intensa pesquisa realizada ao longo de várias décadas. O autor analisa as condições que deram origem e viabilidade ao movimento, situando-as no contexto dos debates sobre raça, cultura e modernidade no Brasil ao mesmo tempo em que acompanha de perto os cinquenta anos de existência do Ilê.

Destaque para o conceito de Réewu Terànga

Entre as contribuições de Achier, o conceito ancestral Réewu Terànga, originado nas tradições senegalesas do povo Wolof, chamou a atenção pela possibilidade de renovação das contribuições africanas para a filosofia contemporânea. O conceito de Réewu Terànga, baseado na generosidade, hospitalidade e cuidado mútuo, foi apresentado como uma inspiração para fortalecer práticas de acolhimento e resistência no contexto brasileiro. Esse conceito, assim como o já bastante conhecido Ubuntu, pode trazer novas perspectivas para os movimentos sociais, especialmente do movimento negro, para os desafios contemporâneos do Brasil.

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