Resenha: Lo Que Queda en El Camino

Filme premiado internacionalmente é retrato de humanidade nas Caravanas Migrantes na América Central em direção aos Estados Unidos

No último dia 27 de julho, o Fronteiras Cruzadas contribuiu para organização de Cine-Debate a partir da exibição do filme Lo que Queda en El Camino no histórico cinema CineBijou, localizado na Praça Roosevelt, o importante eixo de artes do centro de São Paulo. O evento teve a participação de Danilo do Carmo, diretor do filme, e Diana Soliz, ativista boliviana e diretora do Sindicato Municipal das Trabalhadoras Domésticas de São Paulo, com mediação de Karina Quintanilha, advogada e socióloga do Fronteiras Cruzadas na Universidade de São Paulo (USP) .

Foi uma oportunidade para nos aprofundarmos na realidade das Caravanas Migrantes. O filme traz um rosto humano da assim chamada “crise migratória” ao acompanhar a perigosa jornada de Lilian e seus quatro filhos pequenos, empreendendo uma perigosa travessia da Guatemala para os EUA.

Indo para a fronteira EUA-México da Guatemala, a mãe solteira Lilian e seus quatro filhos enfrentam uma árdua jornada de mais de 4 mil quilômetros, cujos perigos são capturados pelo documentário de Danilo do Carmo e Jakob Krese em camadas de intimidade da vida da família guatemalteca de origem indígena. O filme traz impactantes cenas de centenas de migrantes que buscam um futuro distinto através de extensas caminhadas e caronas em boleias de caminhão e trens. Lilian é apenas um dos muitos rostos aqui, e a história por trás de suas dificuldades está longe de ser única. Fugindo de um parceiro abusivo, Lilian faz uma travessia emancipatória para si mesma e para seus filhos pequenos.

Diante dos inúmeros perigos que se encontram em seu caminho, Lilian mantém a perseverança. Quando não estão amontoados na traseira dos caminhões, a família percorre as rodovias sob o sol escaldante até seus pés sangrarem. Há pouco apoio das agências governamentais, mas a solidariedade entre os migrantes e a rede de apoio que constituem é uma verdadeira vitória. Assim como Lilian, muitas de suas companheiras de viagem são mulheres vítimas da brutalidade machista e das máfias. Contrariando a retórica alarmista que cerca a migração, o filme mostra como um grande número daqueles que buscam asilo são mulheres e crianças – as mais vulneráveis ​​à violência de gênero e à pobreza.

Fugindo de um parceiro abusivo, Lilian parte em busca de emancipação. Testemunhamos como laços familiares e o companheirismo entre migrantes são essenciais para superar o difícil percurso.

O estilo observacional do filme consegue chegar às íntimas camadas da família, revelando a humanidade que persiste contra um discurso alarmista que reduz populações a uma condição de precariedade.

O filme segue em cartaz em salas pelo Brasil e disponível para exibições e debates com grupos de migrantes e direitos humanos. Quem tiver interesse em organizar uma exibição do filme sem fins comerciais pode entrar em contato pelo fontieforum@gmail.com .

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