Projeto de Extensão Fronteiras Cruzadas leva estudantes e docentes da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Imigração, Violência Ambiental e Colonialismo da USP para conhecer associação de haitianos
No último sábado (01/08), o Fronteiras Cruzadas organizou uma roda de conversa na sede da União Social dos Imigrantes Haitianos (USIH), em São Paulo, junto a estudantes e docentes da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Imigração, Violência Ambiental e Colonialismo da USP. Dentre os participantes, esteve o Prof. Dr. Roberto Beneduce, da Universidade de Torino (Itália), fundador do Centro Frantz Fanon em Torino.
O encontro foi articulado como parte do projeto de extensão universitária, e pautou demandas urgentes sobre a migração haitiana em um contexto marcado pela revogação do TPS para mais de 300 mil haitianos nos EUA, com o risco iminente de deportações, prisões e violações de direitos humanos em massa.
Também foram destacados os problemas que a população haitiana está enfrentando no Brasil com a insegurança jurídica ocasionada por mudanças de portarias pelo governo, dificuldade de reunião familiar e de renovação de documentos, além do problema da falta de voos entre o Haiti.
Situação da população haitiana no Brasil
Atualmente, a população haitiana no Brasil enfrenta uma situação de crescente precarização, decorrente de diversos fatores que, na prática, esvaziam o direito à acolhida humanitária.
Soma-se à essa instabilidade, as sucessivas mudanças nas políticas migratórias por meio de portarias infra-legais marcadas pela provisoriedade e ausência de debate com as organizações de migrantes. A política de patrocínio comunitário, por exemplo, condiciona a concessão do visto humanitário à atuação de organizações não-governamentais habilitadas para acolhimento e inserção socioeconômica. No entanto, uma série de barreiras têm sido colocadas para que haitianos tenham acesso aos vistos humanitários, o que transforma essa política em um dispositivo de impedimento à migração e de retirada de autonomia do trânsito de pessoas nas Américas.
Expressamos nossa solidariedade ao povo haitiano e reconhecemos o Haiti como grande marco da luta antiescravista nas Américas, cuja revolução iluminou também os caminhos da resistência negra no Brasil.
Unidos somos mais fortes!
A USIH, sob coordenação de Fedo Bacourt, é referência no apoio às comunidades imigrantes, com ações de regularização migratória, curso de português e projetos culturais. A associação também possui uma rádio comunitária com produção e conteúdo em creole haitiano e circulação online. A visita fortalece os vínculos entre universidade, movimentos sociais e lideranças migrantes, reafirmando o compromisso com a defesa de direitos, o diálogo e a valorização dos saberes das comunidades migrantes.







